PRS DGT
O guitarrista David Grissom (John Mellencamp, Joe Ely e Dixie Chicks) e Paul Reed Smith vêm trabalhando juntos há um bom tempo. Grissom adquiriu sua PRS Standard goldtop em 1987 e realizou milhares de shows com ela. Durante anos, ele e Smith conversaram sobre construção de guitarras. Muitas das mudanças discutidas - braço mais gordo, corpo mais grosso, headstock mais esbelto, tarraxas mais compactas - combinaram com o que Smith estava aprendendo com seu mentor e ex-presidente da Gibson, Ted McCarty. Tudo isso foi aplicado no design da PRS McCarty, introduzida em 1994. Desde então, muitas McCarty entraram para a família PRS. A DGT, mesmo não tendo McCarty no nome, foi inspirada na McCarty Trem e incorporou ainda mais melhorias, frutos da obsessão de Grissom e Smith.
Á primiera vista, a DGT resume aqulo que esperamos de uma PRS: é maravilhosa e impécavel. As capas de níquel escovado dos captadores são lindas e as tarraxas de plástico proporcionam um visual retrô. No entanto, você precisa tocar a DGT para perceber a influência de Grissom. O shape do braço, por exemplo, é realmente mais encorpado do que o de outras PRS, proporcionando uma pegada bastante consistente. Isso também contribui para os vigorosos timbres amplificados da DGT.
Os trastes jumbo são perfeitos e um excelente complemento para as cordas .011, aprovadas por Grissom. Todas essas características garatem um resultado sólido e poderoso, sentindo antes mesmo de plugar o instrumento. Ligando a DGT em um Engl Invader e um Marshall JVM, instantaneamente a guitarra produziu sons quentes e articulados - tanto limpos quanto distorcidos - em ambos os captadores. O pickup da ponte tem uma qualidade aberta e ressonante, respondendo de acordo com o local de ataque á corda - brilhante e estalado perto da ponte; um som mais escuro próximo á escala. Toda guitarra faz isso, mas, no caso da DGT, isso fica explícito.
"Queríamos capturar o caráter mágico de um ótimo PAF", diz Grissom, "que oferece clareza em todas as cordas, mantendo o calor dos agudos. Utilizamos os captadores da minha ES-335 1959 durante o projeto. Acho que escolhemos o caminho certo".
A combinação dos dois captadores gera um som prazeroso, e é nesta posição que se encontra um dos recursos mais legais da guitarra. As McCarty tipicamente vêm com um controle de volume máster, mas a DGT possui knobs separados de volume de cada captador. O resultado é uma guitarra de dois humbuckers com incrível capacidade de combinações. Com ambos os pickups ligados, percebe-se claramente as mais sutis diferenças quando manuseamos o botão de volume. Novamente, você pode encontrar isso em qualquer guitarra, mais a DGT faz melhor. A certa altura, tocando exclusivamente na posição intermediária do seletor de pickups, misturando os dois captadores de diversas maneiras. Os benefícios dessa configuração de controles são enormes.
"Ter controles de volume separados era importante para o desenvolvimento dessa guitarra" diz Grissom. "Assiti a um DVD do Led Zeppelin em um show dos primórdios, em Londres. Simplesmente manuseando os knobs de volume da guitarra, Jimmy Page conseguia produzir todos os timbres dos primeiros álbuns do Zeppelin. Percebi que tínhamos de seguir esse caminho. Estaríamos perdendo muito com apenas um controle de volume".
Nada diso deve ser visto como uma surpresa. Grissom é um músico de incrível bom gosto e um exemplo como profisional. A PRS têm como características o alto padrão e o compromisso com a excelência. Combine esses fatores e o resultado só pode ser esse: Prêmio Equipo de Ouro para a DGT.
Fonte: Revista Guitar Player - Por Matt Blackett.